Cientistas criam robô que diminui a raiva ao mandar mensagens

Cientistas criam robô que diminui a raiva ao mandar mensagens

Renan Renan 24 maio 2022

Os constantes avanços tecnológicos nos proporcionam cada vez mais recursos para facilitar as nossas vidas. Inovações das mais diversas deixam as tarefas mais fáceis, simples ou apenas mais leves e descontraídas. Com certeza a tecnologia é uma poderosa aliada no nosso dia a dia, para os mais variados fins.

Você já pensou em ter um robô que ajude a não gerar sentimentos negativos? Pois saiba que essa ideia existe, e já teve suas primeiras aplicações. Aliada a outra prática muito presente na nossa rotina, a interação por redes sociais de mensagens, o robô auxilia nas conversas. Venha conosco para entender melhor sobre essa invenção e como ela funciona, diminuindo a raiva e outros sentimentos negativos dos usuários.

Vá direto ao ponto:

Robô OMOY/ Imagem Universidade de Tsukuba
Robô OMOY/ Imagem Universidade de Tsukuba

O robô

O robô foi batizado de OMOY e possui uma aparência simples e agradável, pesando pouco mais de 250 gramas. Ele é relativamente pequeno, com a ideia de poder ser facilmente transportado por qualquer um, para qualquer lugar.

O OMOY foi criado na Universidade de Tsukuba, no Japão, por pesquisadores da Faculdade de Engenharia, Informação e Sistemas da faculdade.

Em suma, o dispositivo realiza a leitura de mensagens de texto, enviadas a smartphones conectados a ele. O objetivo visado pelo robô é um tanto quanto simples: ler as mensagens em voz alta, acalmando o receptor que possa estar chateado ou recebendo textos negativos.

O robô possui um peso móvel equipado em sua estrutura, que dita todos os seus movimentos. O peso proporciona mobilidade, fazendo com que ele simule emoções ao ler mensagens.

Podemos dizer que o OMOY faz uma espécie de interpretação das mensagens, as lendo em voz alta e se movimentando, a fim de tornar todo o conteúdo mais brando.

O professor Fumihide Tanaka, da Universidade de Tsukuba, diz o seguinte: “Com o meio de comunicação digital escrita, a falta de feedback social redireciona o foco do remetente para o conteúdo da própria mensagem. O robô mediador foi projetado para suprimir a raiva do usuário e outras motivações interpessoais negativas, como pensamentos de vingança e, em vez disso, promover o perdão”.

Essa fala do professor diz respeito ao como nós muitas vezes podemos interpretar negativamente as mensagens, uma vez que elas são apenas escritas, sem a entonação que poderiam ser ditas.

A interpretação das mensagens

Pode ser que você já tenha passado pela seguinte situação: você recebe uma mensagem e pensa “nossa, como essa pessoa foi grossa” ou “não gostei do jeito que você falou comigo”. Porém, muitas vezes, do outro lado da tela o seu remetente está tranquilo, e não quis colocar nenhum valor negativo nas palavras que digitou.

Esse cenário é comum em uma realidade repleta de mensagens unicamente de texto, digitadas como se fossem declarações oficiais. O mundo dos aplicativos de mensagem muito se difere das conversas pessoalmente ou por ligações. Isso ocorre porque, muitas vezes, faltam as emoções nas conversas.

Essa falta de emoção torna o conteúdo aberto para interpretação do receptor. E, se o conteúdo das mensagens tiver um teor mais negativo, é natural que a interpretação seja assim, gerando sentimentos ruins.

E é exatamente nessa interpretação que atua o OMOY.

A atuação do robô e o teste prático

Como já dito anteriormente, o funcionamento do OMOY está centrado em seu peso interno, que faz com que ele se movimente.

Em resumo, ele recebe uma mensagem, lê o seu conteúdo em voz alta, combinando a leitura com movimentações, de modo a suavizar o que é dito.

Os pesquisadores realizaram um teste nas primeiras fases de funcionamento do robô. Foram feitas transmissões com mensagens como “”Me desculpe, esqueci do nosso compromisso e vou me atrasar. Poderia aguardar mais uma hora?”, e outras variáveis, enviadas para 94 pessoas.

Com o OMOY lendo essas mensagens, acompanhado de movimentações promovidas pelo seu peso interno, a raiva dos receptores foi diminuída em média 23%. O impulso de vingança reduziu cerca de 22% e a motivação para evitar a situação, reduziu em 15%.

A comparação é feita com a situação em que o robô apenas leu as mensagens, sem se movimentar. Nesse caso, os pesquisadores informaram que a redução da raiva foi de apenas 3,5%, enquanto o impulso de vingança e a motivação para evitar a situação, praticamente não se alteraram.

Tanaka, professor anteriormente citado, diz o seguinte sobre o “peso” das mensagens: “Quando esse discurso é acompanhado pelas mudanças de peso apropriadas, nós constatamos que o usuário percebe a intenção do robô em ajudá-lo a se acalmar, como algo que está sendo transmitido pela própria pessoa que enviou a mensagem originalmente”.

Um fato muito curioso, é que toda a interpretação do OMOY independe de gestos complexos e expressões faciais, por exemplo. A aproximação com a humanidade promovida pelo robô é feita unicamente por movimentos corporais, causados pelo peso.

Mais uma vez trazendo uma fala do professor Tanaka, ele diz: “A expressão corporal do robô produzida pelas mudanças de peso não exigem componentes externos específicos, como braços ou pernas. Isso mostra que os movimentos internos de peso podem reduzir a raiva de um usuário — e até mesmo outras emoções negativas — sem precisar de gestos corporais ou expressões faciais”.

Outros mecanismos que aproximam em apps de mensagem

Para a nossa realidade, ainda é muito difícil imaginar os robôs presentes em larga escala. Uma tecnologia como a do robô OMOY seria difícil de ser aplicada em nosso contexto, pelo menos a curto prazo. Todavia, não é algo a se descartar para o futuro.

Entretanto, algo que é muito praticado por nós, é o uso de outros recursos, de modo a adicionar interpretações nas mensagens.

O envio de áudios é um dos melhores exemplos. Além de ser mais prático do que digitar, a depender da situação, com os áudios expressamos muito bem o que queremos dizer, da maneira que pensamos.

Naturalmente, através da voz, da entonação e do ritmo da fala, fica mais fácil de transmitir o conteúdo desejado, e diminui-se o risco de ser mal interpretado.

Ademais, através dos áudios é possível falar, de maneira tranquila, mensagens com conteúdo mais negativo, que possam gerar sentimentos ruins.

Outros recursos presentes nos mais populares aplicativos de mensagens são os “emojis” e as figurinhas, que podem auxiliar com o sentimento que deseja passar no texto.

Enfim, esses recursos também podem fazer com que o tom de mensagens pesadas fique mais brando.

De qualquer forma, podemos concluir que a criação do OMOY é outro indício de como a tecnologia avança constantemente, a fim de facilitar as nossas vidas. O robô mostra uma clara intenção de facilitar interações sociais, algo que pode ser muito complexo em diversos contextos.

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